ALECRIMRosmarinus Officinalis
Descrição : Arbusto perene, de numerosas folhas estreitas, duras e sempre verdes. Possui um intenso perfume nas folhas e nas flores que são azul-claro. Propaga-se bem em solos secos, pobres e bem drenados. Adapta-se melhor ao clima subtropical. As folhas são duras, opostas, sésseis, persistêntes e numerosas, com borda enrrolada para dentro ao longo da nervura central. As flores se apresentam em pequenos cachos na parte final e possuem coloração azul-violeta. Reproduz-se por seente ou por divisão de touceiras e galhos.O plantio deve ser feito antes da floração intensa. Prefere locais enssolarados, bem iluminados e sem vento. O alecrim é um pequeno arbusto da família das Labiadas. Suas flores são de cor malva-pálida. Suas folhas são verdes em cima e brancas na parte inferior. Cresce nas regiões quentes. Seu nome científico deriva do fato de que suas folhas parecem recobertas de uma poeira branca, como rocio, e porque tem preferência pelas regiões expostas à atmosfera marinha — rosa marinha. Toda a planta desprende um odor que se assemelha muito ao do incenso. Os gregos a denominavam "flor por excelência", e dela se serviam para entretecer suas coroas, com as quais cobriam a cabeça por ocasião de certas festas. Em alguns lugares costuma-se misturar o alecrim com galhos de buxo na cerimónia do benzimento das palmas no Domingo de Ramos. Em Roma figurava, juntamente com o cipreste, no culto aos mortos. É uma planta que desde tempos imemoriais tem sido objeto de muitas lendas. O verdor de suas fiastes com muitas folhas era considerado como um símbolo de imortalidade. No norte da França dizem que existe o costume de se colocar um ramo de alecrim nas mãos do defunto e depois plantá-lo sobre o seu túmulo. Muita gente ainda se recorda da canção infantil que dizia: "Eu desci ao jardim para colher alecrim." Parte utilizada: folhas, flores, óleo essencial. Plantio : Multiplicação: propaga-se por sementes, estaquia e mergulhia (mudas). Cultivo: o plantio deve ser feito em solos secos, leves, porosos, com espaçamento de 0,5m X 1m; Colheita: colhe-se os ramos, o ano todo, podando as plantas mais viçosas. A conservação das folhas faz-se dessecando-as à sombra e em local ventilado, acondicionando-as em vasilhame sem ar. Modo de Conservar : Use as folhas e flores ffrescas ou secas a à sombra, e em local ventilado. Após a secagem devem ser adicionados em vidros escuros e bem tampados, em ambiente seco e arejado, ao abrigo da luz solar. Origem : Regiões do Mediterrâneo e foi introduzido no Brasil pelos colonizadores, que lhê davam lugar de honra na medicação natural e sempre acompanhou os bandeirantes nas suas entradas e bandeiras. Habitat: Nativo do Mediterrâneo. História: O alecrim é uma especiaria amplamente utilizada; A tradição dita que o alecrim apenas crescerá em jardins aonde a mulher é a "chefe da casa." A planta foi usada na medicina tradicional por suas propriedades adstringentes, tónicas, carminativas, antiespas-módicas, emenagogas e diaforéticas. Os extratos e o óleo volátil foram usados para promover o fluxo menstrual, e como abortivos. Indicações : Diurético, antimicrobiano, cicatrizante, tônico, cardiotônico, anti-reumático, estimulante, colagogo, digestivo, antiespasmódico, anti-reumático. As propriedades do alecrim são conhecidas desde a mais remota antiguidade. Hipócrates já a recomendava assim como Dioscóride e os médicos árabes. Sua voga foi extraordinária na Idade Média e Renascença. O alcoolato de alecrim tornou-se famoso com o nome de "água da rainha da Hungria" e fez furor na corte de Luís XIV. Era o medicamento preferido de Madame de Sevigné. O remédio teria sido inventado pela rainha Elizabeth (filha de Wladislas Lokietak, rei da Polónia), que nasceu em 1306 e desposou em 1320 Charles-Robert d'An-jou, rei da Hungria, morto em 1381. Esta água curava a gota e a paralisia. Dosagem : Combate as dores musculares. Ativa as funções do pâncreas e é anti-convulsivo. Princípios Ativos: saponinas, flavonóides, nicotinamida, colina, pectina, taninos, rosmaricina, vitamina C, óleo essencial(pineno, canfeno, cineol, borneol, eucaliptol, acetato de isobornila, valerianato de isobornila, cânfora). Modo de usar: O pó das folhas do alecrim é empregado para recobrir feridas e particularmente as causadas pela circuncisão. A essência é usada para afastar as traças. Para uso interno, emprega-se uma infusão de 5 a 15 g por litro de água. Em maceração no vinho, de 30 a 60 g por litro, recc-menda-se a dose de 2 a 3 taças (de champanha) por dia. Par. uso externo, usa-se a infusão de 50 a 60g por litro de água fervente, em banhos, nos casos de reumatismo articular, também usada em banhos estimulantes e aromáticos e em banhe. fortificantes para as crianças. Serve o alecrim igualmente pari a preparação de uma água de toucador. Obtém-se excelente vulnerário contra as contusões e golpes fazendo-se a infusão : frio, durante uns quinze dias, num litro de álcool, de lOg c; brotos de alecrim, orégão, tomilho, melissa e salva cortadas er bocadinhos. Este preparado, ministrado em meio copo de ágm fresca, é recomendado nos casos de desmaio, síncopes e desmaios. Toxicologia : Gestantes. Em doses elevadas pode provocar irritações gastrintestinal, nefrite, intoxicação, aborto, irritações na pele. Não é recomendado para prostáticos e pessoas com diarréia. Embora o óleo possa ser usado com segurança como condimento para alimentos e as folhas inteiras são usadas como uma erva fresca e especiaria, a ingestão de grandes quantidades do óleo pode ser induzir a toxicidade. A toxicidade do óleo é caracterizada por uma irritação do estômago e do intestino, por danos aos rins. Embora o óleo de alecrim é irritante à pele de coelhos, geralmente não é considerado ser um agente sensitizante à pele humana. Existem pelo menos 3 relatos de casos de convulsões tóxicas associadas ao alecrim. As cetonas monoterpénicas da planta são potentes convulsantes com propriedades epileptogénicas conhecidas. Precauções: Afeta o ciclo menstrual. Efeitos colaterais: As preparações que contêm o óleo essencial podem causar o eritema, e produtos cosméticos podem causar a dermatite em indivíduos sensíveis. Um exemplo de asma ocupacional causado pelo alecrim foi relatado. Fotossensibilização em uso tópico. Superdosagem: Embora o óleo possa ser usado com segurança como condimento para alimentos, e as folhas inteiras são usadas como uma erva fresca e especiaria, a ingestão de grandes quantidades do óleo pode ser induzir a toxicidade. Aromaterapia : O alecrim cânforado pode ser usado para melhorar a memória, analgésico e expectorante, o alecrim cineoal 'eexpectorante e analgésico, o alecrim verrbe-nona é usado como anti-stress, descongestionante hepético e em má circulação, o óleo resina do alecrim é um antioxidante e regenerador do fígado. Posologia: As folhas do alecrim, para o tratamento da dispepsia, hipertensão e o reumatismo, em doses de 4 a 6g/dia, como alimento ou em infuso; O óleo essencial em doses 1ml para banhos; 2g de folhas frescas (1 colher de sobremesa para cada xícara de água) em infuso para uso interno em todas as indicações; Tintura canforada ou óleos para massagens em dores reumáticas e musculares; Como fitocosmético em xampus (shampoos), loções capilares e dentifrícios em concentrações de 3 a 5%. Farmacologia: O alecrim é um agente antimicrobial bem conhecido. As folhas moídas são usadas como um repelente natural e eficaz contra pulgas e carrapatos. O óleo de alecrim possui ações antibacteriana e antifungosa marcante e também exibe propriedades antivirais. A atividade contra bactérias inclui as espécies Staphylcoccus áureo, Staphyl-coccus albus, Vibrio cholerae, Escherichia Co//, e Corynebacteria. Um estudo relata que o óleo de alecrim é maisativo contra as bactérias gram-negativas(Pseudomonas) e gram-positivas (Lactobacillus) de "deterioração da carne"; O efeito do alecrim contra a Cândida albicans também foi descrito; Um outro relatório descreve a inibição de crescimento do Aspergillus parasiticus pelo óleo de alecrim; O alecrim é ineficaz no tratamento de lêndeas e piolhos; Vários relatórios avaliando os efeitos anticancerosos do alecrim estão disponíveis na literatura. O extrato induz a quinona redutase, uma enzima anticarcino-gênica. Outros mecanismos anticancerosos incluem os componentes polifenólicos do alecrim, que inibem a ativação metabólica dos pró-carcinógenos pelas enzimas de Fase l (P450), e a indução da via de desintoxicação causada pelas enzimas de Fase II (glutationa S-transferase); Resultados de estudos em animais: Suplementação dietética de 1 % de extrato de alecrim a animais de laboratório conduziu a uma diminuição de 47% na incidência de tumores mamários induzidos experimentalmente, quando comparados aos controles. Este extrato foi encontrado melhorar a atividade das enzimas que desintoxicam as substâncias reativas no fígado e no estômago dos camundongos. Os tumores de pele nos camundongos foram inibidos pela aplicação do extrato de alecrim à área. Outros estudos em animais mostraram uma inibição da síndrome do desconforto respiratório adulto em coelhos, redução da permeabilidade capilar e uma atividade antigonado-trófica em camundongos. O alecrim também inibe a ação uterotrópica do estradiol e da estrona em 35% a 50%, quando comparado com os controles; Resultados de estudos clínicos: O alecrim também aumentou a desintoxicação de carcinógenos nas células epiteliais brónquicas humanas. O composto diterpénico encontrado no alecrim, ácido carnósico, possui um forte efeito inibitório contra a enzima HlV-protease; Diversos estudos relatam as ações antioxidáveis do alecrim. O carnosol e o ácido carnósico são responsáveis por mais de 90% da atividade antioxidante do extrato de alecrim. Ambos os compostos são potentes inibidores da peroxidação de lipídio e são ótimos seqiiestadores de radicais de peroxil. A atividade antioxidante depende diretamente da concentração de diterpenos como estes. Os antioxidantes do alecrim possuem uma atividade seqúestradora de radicais menor do que aquela produzida pelos polifenóis do chá verde, porém apresentam um potencial maior do que a vitamina E; \Varios relatórios descreveram outras ações do alecrim, incluindo uma ação espasmolítica no músculo liso e cardíaco, alteração da ativação de complemento, efeitos hepáticos e imunológicos, além da aromate-rapia para o tratamento da dor crónica. O alecrim também pode reverter dores de cabeça, reduzir o estresse, e ser beneficiai no tratamento da asma e da bronquite. A farmacologia do alecrim foi revisada. Farmacologia: Não encontramos relatos de nenhum estudo clínico que validem suas principais indicações, saoe-se que em Figueira esta planta está sendoi estudada e usada em algumas formulações de caráter sutil. |
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Referência :
A Cura pelas Ervas e Plantas Medicinais Brasileiras - Ricardo Lainetti e Nei R. Seabra de Britto - Editora Ediouro. 1979.