FARMACOLOGIA DO ALHO

Allium sativum
Farmacologia: Evidências clínicas sugerem que o alho pode ser benéfico ao nível do colesterol e lipídios no sangue. Entre seus usos tradicionais, o alho tem sido usado contra infecções por suas propriedades anti-sépticas e antibacterianas. Outras áreas potenciais para o seu uso incluem distúrbios gastrointestinais e oncologia.
Vários ensaios clínicos examinaram os efeitos do alho nas lipoproteínas e contra hipercolesterolemia. O mecanismo exato desta ação é incerto, mas acredita-se que os dissulfetos orgânicos presentes no óleo do alho podem reduzir a atM-dade do grupo ídato encontrado em muitas enzimas, e podem oxidara nicoínamida adenina dinucleótido fosfato (NADPH). Estes compostos podem inativar enzimas sulfídricas tais como a coenzima A e a HMG-CoA redutase e oxidar c NADPH, que são fatores normalmente necessários para a síntese de lipídios.
Ensaios clínicos demonstraram que a alicina (o presumido ingrediente ativo do alho) pode reduzir o colesterol total e c colesterol LDL em adultos com hipercoleste-rolemia mode­rada. Igualmente, acredita-se que a reação do alicina cor­os grupos sulfídricos (que apresentam um rápido aumenc de concentração durante a divisão celular) pode contribur para o efeito anti-neoplástico observado em ratos injetadcs com células cancerígenas pré-tratadas com alho. Os investigadores isolaram um componente do óleo de alho que inibe a agregação das plaqueta e que foi identi­ficado como um trissulfeto de meti! atila. Este composto é encontrado no óleo natural em uma concentração de 4 a 10V O composto purificado inibe a agregação ADP-induzida das plaquetas em uma concentração de < 10 mcmol/ L no sangue.
Estudos adicionais indicaram que o composto antitrombótico o mais potente do alho é o ajoeno. Este composto é formado por uma reação de condensação, ácido-catalisada de 2 moléculas de alicina. Este composto 3ode ser sintetizado comercialmente. Ao contrário do ou­tros antitrombóticos sob investigação, o ajoeno parece inibir a agregação das plaquetas independentemente do mecanismo de indução.
O efeito do ajoeno em impedir a formação de coágulos causados por dano vascular foi demonstrado. A experiência foi projetada para imitar as condições da circulação sanguínea em artérias pequenas e médias, através da variação da velocidade do sangue. O composto provou ser eficaz, em ambas as condições. Os autores sugeriram que o composto pode ser útil em situações em que o tratamento de emergência é necessário para impedir a formação dos coágulos produzidos por dano vascular. O alho contém os elementos de traço germânio e selênio. Acredita-se que estes elementos exercem um papel em melhorar a resitência imunológica. Um estudo encontrou que 2 compostos do alho solú­veis em óleo, o dissulfeto de dialila e o dissulfeto de dialila, quando aplicado topicamente em ratos foram capazes de proteger os ratos contra tumores de pele, induzido por carcinogênicos, e aumentaram a taxa de sobrevivência.
Os investigadores demonstraram que a alicina aumen­tou os níveis de 2 enzimas antioxidantes importantes no sangue: a catalase e a peroxidase da glutationa. Esta descoberta confirmou a atividade antioxidante e de sequestro dos radicais livres da alicina. O uso clí­nico da atividade antioxidante ainda não é claro para os pesquisadores. Outros investigadores estudaram os compostos sulfídricos no extraio de alho envelhe­cido (uma forma de alho desodorizado popular) e en­contraram 5 compostos sulfídricos que inibiram o peroxidação de lipídios no fígado, prevenindo uma reação que é considerada uma das características principais do envelhecimento dos hepatócitos. De acordo com os resultados encontrados, os compos­tos sulfídricos "parecem ser aproximadamente 1000 vezes mais potentes na atividade antioxidante do que o extrato bruto e envelhecido do alho." Os estudos sobre o efeito do alho na agregação das plaquetas produziram resultados inconsistentes, pos­sivelmente relacionados a variações no design dos estudos e nas preparações do alho usadas. O meca­nismo proposto para a inibição da função das plaquetas pelo óleo de alho é através da interferência da síntese de tromboxano.
Estudos clínicos mostraram que a inibição da agre­gação das plaquetas é também observada in vivo após a ingestão do alho fresco. Em um estudo, as plaquetas de voluntários saudáveis que haviam ingerido dentes de alho (100 a 150 mg/kg) mostraram uma inibição completa à agregação induzida pela serotonina (5-hidroxiíriptamina). Outros estudos mostraram que a ingestão do extrato de alho "envelhecido" pode pro­duzir uma inibição de algumas das funções das plaquetas importantes na iniciação de eventos tromboembólicos na circulação arterial. Os efeitos do alho na agregação das plaquetas podem ser depen­dentes da preparação de alho usada. As diferenças observadas parecem ser, em grande parte, dependen­te da quantidade de compostos organo-sulforosos presente no extrato. Muitos destes compostos são instáveis ou capazes de interconverção durante o processamento do alho.
O efeito do alho no sistema gastrointestinal tem sido um tópico de debate na comunidade científica. A ad­ministração oral do óleo (0,1 ml_/10 g) a camundon­gos reduzidos o tempo de trânsito gástrico de uma refeição de carvão vegetal em 75% , o óleo também impediu a diarreia induzida pelo óleo de rícino por até 3 horas. Os investigadores deste estudo concluíram que o óleo de alho deve ser investigado por sua efi­cácia no controle da diarreia. Um papel adicional para o alho, proposto na literatura, é o uso do alho no tra­tamento da infecção por Helicobacter pylori, entretanto não há evidência para apoiar este uso. As propriedades anti-sépticas e anti-baterianas do alho são conhecidas há séculos. Já na Segunda Guer­ra Mundial, os extratos de alho eram usados para desinfectar feridas. Durante o século 19, os médicos rotineiramente prescreviam a inalação do alho para o tratamento da tuberculose. Os extratos do aího ini­bem o crescimento de várias linhagens de Mycobacteríum, mas somente em concentrações que podem ser difícil de atingirem tecidos humanos. Preparações contendo extratos de alho são usadas extensamente na Rússia e no Japão. Ambos os organismos gram-positivo e gram-negativo são inibidos in vitro por extratos de alho. A potência do alho é tal que 1 mg é equivalente a 15 unidades de Oxford de penicilina o que faz o alho aproximadamente 1 % tão ativo quanto à pe­nicilina.
Os extratos de alho mostraram uma atividade anti-fungica quando testado in vitro e seu uso foi sugerido no tratamento da candidíase oral e vaginal. Na tentativa de quantificar a atividade in wVode extratos de alho, os investigadores administraram 25 ml_ de um extrato fresco de alho, por via oral a voluntários. As amostras de sangue e de urina foram testadas para a atividade antifungosa contra 15 espécies de fungos patogênicos. Enquanto o soro exibiu uma ativi­dade anticândida e anti-criptocóca em 30 minutos após a ingestão, nenhuma atividade biológica foi encontrada na urina. Os resultados sugerem que enquanto os extratos de alho podem exibir alguma atividade anti-fungosa in vivo, esta atividade é provavelmente limitado no tratamento de infecções sistémicas.
A atividade anti-neoplástica do alho foi estudada em camundongos injetados com células cancerosas que foram pré-tratadas com um extrato de alho. Nenhu­ma morte ocorreu no grupo de tratamento por até 6 meses, enquanto os ratos injetados com células can­cerosas não tratadas morreram no prazo de 16 dias. Os dados de pesquisas clínicas sobre o efeito do alho contra o câncer são escassos. Os resultados disponí­veis são primariamente obtidos de estudos de caso-controle, e sugerem que o consumo do alho na dieta está associado com uma redução no risco de câncer da laringe, gástrico, colorretal, endometrial e de pólipos colorretal do tipo adenoma. O efeito proteíor do alho contra os cânceres - colorreíal e do estômago, foi ava­liada na meta-análise de 18 estudos. Concluiu-se que o consumo elevado de aího pode oferecer uma prote-ção a estas doenças. Estes resultados devem ser in­terpretados com cuidado por causa da heterogeneidade entre os estudos incluídos na meta-análise. Resultados de pesquisas clínicas sobre o alho: Ensaios controlados e randomizados que compara­ram o alho ao placebo produziram resultados incon­sistentes. Alguns estudos sugerem que o alho não tem nenhum efeito em adultos com hipercolesterolemia suave a moderada. Outros estudos também mostra­ram que o alho não tem nenhum efeito significativo em fatores de risco cardiovasculares em pacientes pediátricos com hiperlipidemia familial. Entretanto, um outro estuda que investigou especificamente a hipercolesterolemia moderada em homens demons­trou que o alho tem efeitos benéficos no perfil lipídico (redução do colesterol total e do colesterol LDL}. Ou­tros dados mostram que pode o alho pode ser usado como uma terapia auxiliar as medicinas tradicionais (por exemplo, reduzindo a dose de inibidores da HMG-CoA redutase).
Uma meta-análise sobre o uso do alho contra a hpercolesterolemia examinou especificamente estu­dos randomizados e controlados que compararam o alho com placebo. O critério de inclusão constou em pacientes com um nível de colesterol total médio de 5,17 mmol/L (200 mg/dL). Juntando os dados de 13 ensaios (N = 796 pacientes) sugeriu que o alho é su­perior ao placebo na redução dos níveis de colesterol. Entretanto o efeito observado foi modesto (redução de 6% do colesterol total).
Uma outra meta-análise de 16 ensaios randomizados e controlados (N= 1365 pacientes} também mostrou uma redução modesta dos lipídios no sangue. No to­tal, uma redução 12% maior foi observada com a te­rapia de alho comparado com o placebo. Porém esta meta-análise consistiu de pequenos estudos randomi­zados de baixa qualidade e não todos os pacientes recrutados sofriam de hiperlipidemia. Em geral, estes efeitos são geralmente de curto pra­zo e não se sabe se esta terapia é sustentável por mais de 3 meses. A evidência da redução do LDL e do colesterol total ainda é questionável e pode não ser clinicamente significativa.
Resultados fortes para o efeito do alho na pressão sanguínea ainda não foram obtidos. Os resultados de uma meta-análise sugerem que suplementação com 600 a 900 mg/dia de alho (por) de 1 a 3 meses, estão associadas com uma redução pressão sanguínea cli­nicamente relevante. Esta meta-análise incluiu 8 en­saios que consistindo de 415 pacientes. Porém, os ensaios incluídos, (os) eram geralmente de uma qua­lidade pobre ou moderada e nem todos os pacientes eram hipertensivos. Uma revisão da literatura sugere que os efeitos do alho na pressão sanguínea são insignificativos. Nenhuma conclusão absoluta deve ser feita sobre estes ensaios.
O alho foi sugerido como um agente capaz de reduzir os níveis da glicose no sangue, para aumentar a insulina no sangue e para melhorar o armazenamento de glicogênio no fígado. Uma revisão da literatura, demonstrou que os níveis de glicose diminuíram de 89 para 9 mg/dL em voluntários saudáveis (que) nos quais foi administrado o alho (800 mg de pó seco por 35 dias) em comparação ao grupo do placebo. Entretanto, outras revisões mostraram que o alho não tem nenhum efeito no nível da glicose. A administração do alho não deve ser recomendada para esta indicação devido à falta de ensaios controlados e randomi-zados de qualidade.

Alho

Galeria

 


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Referência :

A Cura pelas Ervas e Plantas Medicinais Brasileiras - Ricardo Lainetti e Nei R. Seabra de Britto - Editora Ediouro. 1979.
Plantas que Curam - Cheiro de Mato. Sylvio Panizza - IBRASA. 1997.
CIAGRI - Banco de plantas medicinais, aromáticas e condimentares da Universidade do Estado de São Paulo.
Plantamed - Grande cadastro de plantas e ervas medicinais.