AMORA DO CAMPO
Desmodium adscendens.
Descrição : Planat da família das Fabaceae.
Também conhecida como amor sexo, pega pega, munduirana, barba de boi. Planta herbácea perene, de até 50cm de altura. Haste ramosa, pubescente. Folhas pinadas, trilobadas, alternas. Folíolos obtuso-alongados, aveludados na página superior. Numerosas flores purpúreas nas axilas dos folíolos. Frutos verdes, miúdos, ovais, em vagens que se prendem ao pelo dos animais.
Partes Utilzadas : Folhas e flores.
Habitat: É nativa de vários países tropicais e cresce em florestas abertas, pastagem, beira de estrada e em terrenos cultivados. O género Desmodium tem cerca de 400 espécies.
História: A planta é usada medicinalmente há muitos séculos. Algumas tribos indígenas atribuem-lhe propriedades mágicas. É usada na África, Brasil, Belize, Nicarágua, Peru, Trinidad, EE.UU. e outros países.
Propriedades medicinais: antiblenorrágica, béquica, diurética, estomáquica, febrífuga, hepática, laxante, tônica.
Indicações: Afecções respiratórias: asma, alergias, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crónica, enfisema, excesso de muco; Analgésico, relaxante muscular e antiespas-módico geral para cólicas, espasmos gastro-intestinais, artralgias e dores ósseas, traumatismos. Transtornos mentruais: cólicas, sangramento excessivo, leucorréia; Convulsões: epiléticas e por reação alérgica.
Princípios ativos: Flavonóides; Alcalóides; Sapaoninas Principais componentes: astragalina, B-feniletilaminas, cosmosiina, 3-0-soforosideo-cianidina, dihidro-sojasa-poninas, hordenina, 3-0-ramnosídeo-pelargonidina, salsolina, sojasaponinas, tectorigenina, tetrahidroiso-quinolina e tiramina.
Farmacologia: As sojasaponinas são consideradas altamente ativas, com ação antiasmática.
A astragalina é um agente bactericida bastante conhecido, provavelmente o responsável pela utilização tradicional da planta em infecções, doenças venéreas e ferimentos; Os herbalistas de Gana têm usado as folhas de Amor-do-campo em asma brônquica com tão bons resultados que atraíram a atenção da comunidade científica internacional. Em 1977 um estudo clínico com humanos mostrou que 1 a 2 colheres de chá de extraio seco das folhas, divididos em 3 tomadas produziram melhora e remissão na maioria dos pacientes asmáticos tratados. Na tentativa de elucidar as propriedades antiasmáticas vários estudos com animais foram efetivados. Em 10 pesquisas diferentes observou-se que a planta interfere com a produção dos agentes químicos normalmente presentes em uma crise asmática: os espasmó-genos que causam a contração do pulmão, a histamina que desencadeia a resposta alérgica e os leucotrienos que são broncoconstritores e aumentam a produção de muco nas vias aéreas superiores. Certas substâncias e alergenos podem causar choque anafilático - vários destes estudos com animais reportaram que a planta tem ação antianaf ilática contra várias substâncias que sabidamente desencadeiam tais reações.
O bronco-espasmo em resposta a vários estímulos e alergenos é uma característica universal da asma e das reações anafiláticas. Algumas pesquisas apontaram para um efeito músculo-relaxante nos tecidos pulmonares e inibição da contração e constrição induzida por várias substâncias. Os canais de potássio têm um papel importante na regulação do tônus da musculatura lisa das vias aéreas e na liberação de substâncias constritoras nos pulmões. Foi considerada- a mais potente liberadora dos canais de potássio (maxi-K) conhecido. Isso contribui decisivamente para a tividade terapêutica do Amor-do-campo contra a asma.
A atividade antialérgica da planta documentada inibe não só a contração da musculatura lisa das vias aéreas superiores como também a contração muscular em outras regiões do corpo. Estas ações antiespas-módicas e múscu-lo-relaxantes explicam porque o Amor-do-campo sempre foi usado tradicionalmente para lombalgias e espasmos musculares.
Recentemente documentou-se suas ações analgésicas e anticonvulsivantes em animais. Publicações ainda mais recentes ligam artrite e reumatismo a várias reações alérgicas.
Contra-indicações/cuidados: não encontrados na literatura consultada. Porém nenhuma planta deve ser consumida em excesso e nenhum tratamento deve ser feito sem orientação médica.
Posologia: Adultos: 4 a 6ml de tintura por dose, até 3 vezes ao dia.
4g de erva fresca (1 colher de sopa para cada xícara de água) em infusão até 3 vezes ao dia, com intervalos menores que 12hs. Cápsulas: 4 a 5g diários. Crianças: de 1/3 a 1/z dose de acordo com a idade.
Referência :
BALBACH, A. A Flora Nacional na Medicina Doméstica. 23a. ed. Itaquaquecetuba: EDEL, 1991. Vol.ll
BALMÉ, F. Plantas Medicinais,. 1a. ed. São Paulo: Hemus, 2004.
CONCEIÇÃO, M. As Plantas Medicinais no Ano 2000.2". ed: revisada .São Paulo: Tão, 1982.
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