MILHO Zhea mays
Descrição : Trata-se de uma planta herbácea de alto porte (até 2,5 metros de altura), pertencente à família das Pascias (Gramíneas), caracterizada por apresentar caules eretos com folhas alternadas, largas, lanceoladas, com bainhas, de margem áspera e cortante; flores masculinas reunidas em panículas terminais, e femininas séseis, reunidas em espigas de tamanho grande rodeadas por brácteas membranosas entre as que emergem numerosos estilos filiformes. O fruto aparece em cariópside, redondo, brilhante, de cor amarelada, inserido no eixo engrossado da inflorescência. O certo é que o milho é cultivado atualmente em todo o mundo, sendo os Estados Unidos o principal produtor. Junto ao arroz e o trigo constituem os principais alimentos vegetais para a humanidade. A separação do gérmen a partir da trituração do grão permite através do mecanismo de pressão e calor (previamente lavado para eliminar restos de amidos e glúten) obter o óleo de milho cru, o qual logo é clarificado por filtração e decantação e posteriormente refinado para eliminar os ácidos graxos por esfriamento e filtração. Parte utilizada : Os estilos e estigmas (conhecidos popularmente como "barba de choclo") e a fração insaponificável de óleo de germe de milho. Os estilos e estigmas se colhem quando o fruto está amadurecido. História : O milho constituiu o cereal mais importante da América devido a importância dos amidos na alimentação e a indústria. Tem-se encontrado restos fósseis do pólen de milho que datam de 6.000 - 6.500 anos de antigüidade. Na América começaram a cultivar a partir do século XV, existindo algumas referências de seu conhecimento pelos astecas. Os nativos peruanos extraíam desta planta alcalóides os quais eram utilizados em cerimoniais religiosos. Cristóvão Colombo levou em 1502 amostras deste cereal para a Espanha, e dali ganhou uma rápida expansão até ao sul da Europa, norte de África e Oeste de Ásia. Origem : O milho seria originário de América do Sul, ainda que existam algumas dúvidas sobre seu real lugar primogênito devido a que não foi conhecido em estado silvestre. Alguns indicam que seria originário do Peru, outros indicam Colômbia e um terceiro a América Central, tendo havido historiadores que fizeram referência a origem asiática (Birmânia ou as colinas de Naga), ainda que esta teoria tenha pouca credibilidade. A partir de sua chegada à América do Norte, se expande finalmente à China durante o século XVI. Modo de Conservar : Os estiletes e as estigmas (cabelo de milho) de vem ser colhidos assim que surgem na espiga e secos ao sol e em local ventilado. Guardar em vidros bem tampados, longe da umidade e da luz, caso contrárioo eles deterioram rapidamente. A espiga de milho verde é conservada na geladeira, por alguns dias. Propriedades : Diurético, antiespamódico, antiinflamatório, abortivo, emenagogo Indicação : Gota, edemas, cistite, uretrite, litíases urinárias. Principios Ativo : Estilos e estigmas: Contém saponinas (10%), fitoesterois (sitosterol e estigmasterol), alantoína, betaína, taninos (11-13%), resinas, borracha (goma), fermentos, flavonóides, antocianidinas, abundantes sais minerais (de potássio, cálcio, magnésio, sódio e ferro), trazas de aceite esencial (0,1- 0,2% destacando entre seus componentes o carvacrol e em menor medida outros terpenos), ácido salicílico (0,3%), ácido maizérico, mucílagos, vitaminas C e K, etc. Sementes: Abundantes ácidos grassos polinsaturados: ácidos oleico (37%), linoléico (50%), palmítico (10%) e esteárico (3%); aminoácidos, abundante amido, carotenóides, dextrina, substâncias nitrogenadas (zeína, edestina, maicina), vitamina E (uma das principais fontes para sua obtenção), etc. Folha: hordenina (alcalóide), ácidos orgânicos e heterósidos cianogenéticos. Análises aproximadas do grão do milho por 100 g: calorias 334; proteínas 9,2 g; gordura total 3,8g; hidratos de carbono 65,2g; água 12,5 g; fibra 9,2 g; cinzas 0,4%; cálcio 15 mg; flúor 0,06 mg; fósforo 256 mg; ferro 1,5 mg; magnésio 120 mg; potássio 330 mg; sódio 6 mg; retinol 90 m g, tiamina 0,36 mg; riboflavina 0,20 mg; niacina 1,5 mg; piridoxina 0,40 mg; ácido ascórbico (trazas), tocoferol 2,2 mg. Modo de Usar : Popularmente se empregam os estilos ou estigmas de milho, por suas propriedades diuréticas, em casos de edemas, oliguria, hipertensão arterial, infecções urinárias, hiperuricemias, gota. Também se emprega como abortivo e emenagogo. Em todos os casos se emprega a infusão a 5-10%, a razão de 2-3 xícaras por dia. No Haiti empregam a semente moída em aplicação local para a consolidação de fraturas. Em Martinica empregam a deccoção ou infusão dos estilos em casos de sarampo. Na República Dominicana recomendam a decocção dos estilos e/ou sementes junto a Spermacoce assurgens em casos de dores cólicas de rim. Em Trinidad e Tobago empregam as sementes como antidiarreico. Em Cuba empregam as sementes moídas aplicadas como cataplasma em casos de tombo, torceduras e fraturas. Na China empregam a bainha ou coberta do grão para tratar diarréias em crianças e o grão inteiro em casos de metrorragias. Em forma de extrato fluido (1 g = 40 gotas) se administram 150-300 gotas diárias repartidas em 3-4 porções (tomas). Em forma de extrato seco (5:1) se pode prescrever sob a forma de cápsulas a razão de 300 mg por cápsula, 2-3 vezes ao dia. Em forma de xarope (10% do extrato aquoso) a razão de 1-5 colheres de sopa diárias. A tintura (1:10) em base a 30 gotas, 3 vezes ao dia. Contra-indicações/cuidados: não encontrados na literatura consultada. Porém nenhuma planta deve ser consumida em excesso e nenhum tratamento deve ser feito sem orientação médica. |
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Referência :
A Cura pelas Ervas e Plantas Medicinais Brasileiras - Ricardo Lainetti e Nei R. Seabra de Britto - Editora Ediouro. 1979.